sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Não desisti de mim




Fragilizada pela vida,
Sozinha... E as recordações...
Minha face desprotegida
É máscara de frustrações.

Arrebataram o meu ego.
Não sou mais aquela que fui.
Por um mundo louco trafego,
Mesmo o sorriso se dilui.

Não falo com facilidade...
Dias e noites esquecida...
Até nem sei se tenho idade
Ou história sobrevivida.

A memória também me esquece
Nem a canção de ninar lembro.
Entoava sempre... como prece...
Alterava ao chegar dezembro...

clarões na mente estagnada.
Preciso preencher os escuros,
Restituir-me a vida roubada,
Alcançar estágios seguros.

Espantar todos os meus medos,
Não alimentar a saudade,
Contar bem alto meus segredos
E usufruir da liberdade...


Mardilê Friedrich Fabre

7 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

As nuvens, volta e meia, estão carregadas.
Mas chove, e o tempo fica claro outra vez.

Abraço,
Jorge

Editora Sob Medida disse...

Parabéns, achei seu poema muito realista, um grande poema, não no sentido de tamanho mas de qualidade.
Amei.

bjus da lecy

Jussara Petry - (Ponte, Passagem, Encontro) disse...

Espantar todos os meus medos,
Não alimentar a saudade,
Contar bem alto meus segredos
E usufruir da liberdade...

Sutil e primoroso com uma boa dose de esperança para sustentar com leveza os trejeitos de dias perdidos sem sol com promessas de novas cores, odores e fim de dores....e como diz teu poema forte e de alma sutil: " Espantar todos os meus medos,
Não alimentar a saudade,
Contar bem alto meus segredos
E usufruir da liberdade..."

Dolorido, real e cabe direitinho nos cantihos mais remotos de nossas almas.....
Carinho,
Ju

APRENDIZ DE POETA disse...

Bem ritmados e rimados os primeiros versos com os terceiros e os segundos com os quartos, nas seis estrofes, isso quanto a forma. No conteúdo, como um todo, achei uma poesia bem
realista de quem soube e sabe viver,
apesar das intempéries. Em suma: PERFEITO!

maria da glória perez delgado sanches disse...

Olá, Mardilê, boa noite!

Belíssimos versos, entre uma produção tão criativa. Você está de parabéns!

Faça uma visita aos blogs disponíveis no meu perfil: artigos e anotações sobre questões de Direito, português, poemas e crônicas ("causos"): http://www.blogger.com/profile/14087164358419572567. Esteja à vontade para perguntar, comentar, questionar ou criticar.

Maria da Glória Perez Delgado Sanches
Membro Correspondente da ACLAC – Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo, RJ.

EstherRogessi A.Mendes disse...

Ótima noite, poetisa.

O poeta vive mil vidas em um só fôlego.
Estes são sentires, infelizmente, de muitos... Parabenizo a você pela estruturação, e, pelo teu EU poético.

Abraços e feliz FDS.

Anônimo disse...

Mardilê, querida.

O perfil de poeta fragilizada não combina consigo. Vc se assume poeta, vc é poeta, mas, consciente da sua força interior , não se deixa mergulhar em um mar de lamentações e não aceita, ao menos tão facilmente, os traços do destino. Vc tem razão, a liberdade é a força impulsionadora que leva o indivíduo a ser coautor de sua história de vida, em última análise, que o conduz às suas escolhas.

É isso aí? É mais ou menos isso? Ou, não é nada disso?

Ao menos, é como eu vejo vc, é como eu me reconheço e como me vejo no rosto de tantas outras mulheres.

Tenha uma boa noite. Bjs. Irany