sábado, 20 de janeiro de 2018

Segredos iluminados



Minh´alma estala em luzes.

São segredos encerrados
Que a Via Láctea ilumina.

E destrói este vazio
Do nada imenso e nostálgico.

Vitória das nossas manhãs
Acordadas entre sorrisos
Dos prazeres do paraíso.

Emoções sem jogos nem máscaras,
Confissões que renovam a vida,
Sem ressentimentos nem mágoas.

A dimensão perde o lugar.
O tempo estático só nosso
Dura o infinito da lembrança.


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Pinterest

Teoria para aprender este tipo de composição literária:

http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/11/escala.html


sábado, 13 de janeiro de 2018

Amores não correspondidos





Em seu escritório improvisado, a professora corrige redações. Oito turmas de terceira série, e o vestibular à porta, é preciso que os alunos escrevam melhor...muito melhor.

De longe, distraída que está, ouve a campainha. “Ué! Não espero ninguém”.
Vai até a porta e abre-a. Diante dela, o rosto conhecido de um adolescente tímido, muito triste. Seu olhar fala: “Me ajuda”.

Surpresa e também curiosa, convida-o a entrar e sentar. Apesar do seu esforço, tem um pouco de dificuldade de fazê-lo falar para contar o que o aflige tanto.
Para suavizar o ambiente, depois de ele concordar, coloca no aparelho um CD do Chico Buarque (ele lhe diz q é um de seus cantores prediletos). Só então a conversa começa a fluir com mais naturalidade (desaparece a surpresa dela e um pouco da timidez dele).
De cabeça baixa, como quem esconde o rosto, ele chega ao ponto crucial. (“Como ela não percebera? Só podia ser isto: amor não correspondido. Amor de adolescência... Também ela fora escandalosamente apaixonada por alguém. De chorar de frustração. Ele a ignorava completamente. E como doía!”)
E o que dizer para aqueles olhos à sua frente voltarem a brilhar confiantes de que o amor é possível? Adianta afirmar que, com o tempo, tudo passa?
Ela deve apenas ouvir a história, embalada pela voz do Chico, e revelar seu otimismo em viver. (“Vontade de dar-lhe colo e deixá-lo chorar até livrar seu peito de tamanha tristeza. Foi o que a ajudara.”)
Ele vai embora e fica com ela uma sensação de impotência nostálgica.
Ele volta (ainda bem, porque ela está mais preparada). Ele lhe parece mais animado, um pouco menos triste e conversam sobre assuntos diversos. A filha dela contribui para distrair o ambiente, pois vem do balé, entra como um furacão, larga a mochila e sai aos pulos para brincar na calçada.
Mas... e na sala de aula? Ela percebe que ele a segue com um olhar súplice.
É. A relação aluno-professora fora rompida, porque agora entre os dois surge um novo e precioso sentimento: amizade.
Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: via Google


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Por amor a uma criança



Meu coração se mortifica ao vê-la,
Tendo por cobertor as estrelas,
Portando consigo tristes histórias.
No rosto sério, lágrimas inglórias.

Quer tão pouco de mim, afeição,
Que a recolherá deste mundo cão.
Por instantes, fitei-a com carinho,
Estendi-lhe os braços devagarzinho...

Encostou a cabecinha em meu peito
E quietinha ficou, meio sem jeito.
algum tempo guardava a esperança
Que a vida lhe doaria bonança.

O que nos reuniu foi a solidão.
Abandonadas, buscamos, então,
Minimizar nossa fome de amor,
Ao conseguir as fronteiras transpor.


Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Tecla SAP


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Entro em nova idade



No dia em que o mundo se despede de mais um ano, entro em nova idade.

Pilho-me na frente do espelho. Analiso-me. As estrelas ainda cintilam nos meus olhos; os sonhos teimam em bailar nos meus pensamentos.

Os fundos vincos do rosto dizem da sabedoria que adquiri na estrada orlada de emoções e coberta de empecilhos, que foi preciso palmilhar . Muitos me tatuaram também o coração.

Nem sempre venci. Às vezes reguei o caminho com lágrimas involuntárias e incontroláveis. Entretanto, sempre me refiz e escudada por um sorriso dorido, prossegui.

Nunca perdi de vista a menina que se flagrava parada no meio do jardim, acompanhando o voo do colibri que se exibia para a rosa vermelha. Tampouco a jovem que esperava pelo romântico xeique que a levaria para sua tenda de seda em um cavalo negro.

Não, não me importo com sinais e rugas na pele. Posso criar um mundo, onde a fantasia dos contos de fada não desapareceu.

Mardilê Friedrich Fabre

Foto: do acervo pessoal

sábado, 23 de dezembro de 2017

Presente de Natal


Se fores me dar um presente,
Enche minha alma de ternura.
Deixa meu coração contente,
Presenteia-o com a candura.

Substitui esta tortura
Que me desola diariamente.
Se fores me dar um presente,
Enche minha alma de ternura.

Embriaga-me docemente
Com o espírito que perdura
De um Natal puro e permanente
E de Jesus a formosura,
Se fores me dar um presente.


Mardilê Friedrich Fabre
Imagem:via internet



Esta composição literária é um rondel
Teoria para compreender a sua estrutura:

http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/08/rondel.html

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Novidade



Sinto saudade, sim...saudade...

Menina perdida entre sonhos,
Ao balançar calmo das lendas,
Olhos a espiar pelas fendas
Passarem mistérios risonhos.

Tempo preso na doce voz
Que cantarola uma cantiga.
Ao coração desperto intriga
A transformação do eu em nós.

E... acomoda-se à novidade.


Mardilê Friedrich Fabre
Imagem:merriganecrafis.dracowolf.com

  

Teoria para compor este tipo de poema:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/06/oitava-intercalada.html

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Nova morada



Minha alma está sempre na tua
Entregue inteira, enamorada,
Risonha na nova morada,
Pois teus sonhos cultua.

Não há mais nem tempo nem caminho...
Só este lugar sublimado
Que a acolhe em concha como ninho.

Faço-me história e não definho.
Sabes de mim, és meu agrado.
Preencho-te a vida um pouquinho.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem:Pinterest


Teoria para este tipo de poema, acesse o link
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2016/02/decineto.html

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Tatuagem



Tatuei tua alma de mim
Sem perguntar-te se podia,
Aproveitei tua abstração.

Mergulhados muito distantes,
Teus olhos tristes atenção
Clamavam. Cheguei de mansinho.

Abriguei-me sem perceberes.

Imprimi em ti minha vida.


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: n.e.o.q.e.a.v: - blogger

sábado, 25 de novembro de 2017

Nas entrelinhas...





Insensata, louca de esperança,
Procuro a doçura do teu rosto.
O olhar vaga com perseverança
Pelo infinito onde o sol é posto.

Nas entrelinhas do teu sorriso,
Leio promessas imprevisíveis,
Fantasio nosso paraíso
E projeto encontros impossíveis.

E do teu candor fico refém,
Preenche a noite tua presença
Que faz ressuscitar teu desdém.
Sofro com toda esta indiferença.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Vivo Mais Saudável


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Onde te escondes, Amor?



Onde te escondes, Amor,
Que não vens secar
As lágrimas dos meus olhos sonhadores
Que não param de escorrer
Pelas minhas rubras faces?

Onde te ocultas, Amor,
Que não vens afastar
Os desencontros
De nossas vidas solitárias?

Onde te abrigas, Amor,
Que não vens realizar
As quimeras não esquecidas
Ao longo dos anos perdidos?

Para onde foges, Amor,
Que não vens calar
A minha voz que grita
Teu nome incessantemente?

Para onde escapas, Amor,
Que não vens sussurrar-me
As palavras que preciso ouvir
Para ter forças para continuar?

Para onde somes, Amor,
Que não vens cantar comigo
Nossa canção guardada no canto
Da alma que transborda saudade?

Onde te confinas, Amor,
Que não vens te disfarçar
De meu sorriso para refletir
Segredos matizados de recordações?

Onde te refugias, Amor,
Que não vens pegar
As minhas mãos abandonadas
Para levar-me contigo
Pelas trilhas douradas
E nos perdermos entre as estrelas?

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Uma mensagem de esperança ao teu coração - blogger


sábado, 4 de novembro de 2017

Afagos



Cada dia que passo só
Sucumbe em mim um pouco o amor,
E a vida gira e vira pó.
Resta este poema incolor.

Expulso todos os demônios,
Amontoados nos matrimônios
Que desconcertam os neurônios.

Devo esquecer minhas feridas,
Pensar no amanhã da esperança,
Entremear sonhos e dança,
Vibrar na poesia recém-nascida.

Permitir que floresça em mim
Apenas ternura carmesim
E a gentil magia do sim.

Anoiteço na lua que vaga.
Embala-me canção de paz
Que a todos bastante apraz
E o nosso coração afaga.


Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: wallpapers13.com


Teoria desta forma de poema:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/06/canzoneto.html

domingo, 29 de outubro de 2017

Canção de amor



Não é uma canção qualquer
Cada palavra significa
Que percebo no alvorecer
Uma canção feliz e rica.

Passa-me doce calafrio...
Saudade de ti extravio,
Noites insones repudio.

Palavras tão contraditórias
Estampam a dor da paixão!
E nos encontramos, pois não?
Quem nota nossas trajetórias?

Um amor de entrega total,
Sem aflições, angelical
Porque sem adeus, afinal...

Impossível viver assim
Sem o coração que retrate
E na noite fria resgate
Os acordes do bandolim.


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: peakprosperity.com


Teoria desta forma de poema:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/06/canzoneto.html

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Não sou só




Não sou . Tenho de volta a ti.
Nas noites gélidas de inverno,
Quando o amor parece eterno,
Lembro o quanto padeci.

Muito longe estavas então
E eu na minha solidão...
Esperei-te por longo tempo
Não me detive em contratempo...

E tu regressaste para mim
Etérea, silente, envolvente...
Como nas novelas de folhetim.
A minha deusa! Ainda atraente.

Esperei por ti consolador
Devolveste-me o respeito
E o meu lado sonhador
Teceu nosso futuro perfeito.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem:twitter.com

sábado, 14 de outubro de 2017

Vale a pena?


Será que vale a pena
Continuar esta incessante busca
Por mim mesma?
Será que um dia vou encontrar-me
Para depois decifrar-me
Para o mundo?
Preciso entender com urgência
O que me machuca tanto?
O poder que mata homens?
Crianças abandonadas
No intrincado da vida?
A ambição que destrói sem piedade?
O desprezo de tantos por tantos?
A violência por nada?
Não, não fui maltratada,
Desfruto de certo conforto,
Venci barreiras inimagináveis.
Por que isso, então?
Por que há dias nos quais
Me sinto como se as águas revoltas
De um rio me levassem
Para muito distante...
Sem rumo,
Sem segurança,
Sem porto à vista...
Talvez as lágrimas
Que me banham o rosto
Possam explicar
A dor que grita em mim.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: A soma de todos os afetos


sábado, 7 de outubro de 2017

Guardo ainda a fotografia



Guardo ainda a fotografia
Que me deste em longínquo dia.
Teu olhar para mim sorri...
É o que me resta de ti.

Partiste sem explicação.
Confusa, procurei-te em vão.
A madrugada foi companheira
Nas horas de dor derradeira.

Não esqueci nosso segredo
Que ficou muito tempo quedo
No mais recôndito de mim,
Que num átimo veio assim.

Uma palavra dita ao léu,
A chuva que brota do céu,
O arco-íris com as sete cores
Que vêm enfeitar amores.

Quero lembrar-me até morrer
Daquele dia ao anoitecer,
Quando roçaram nossos lábios
E os corações não foram sábios.


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Luiza Lopes

sábado, 30 de setembro de 2017

Inquietude




Cercada por flores
E longe de ti...
Primavera veio...
Aroma de amores...

O sol, entretanto,
Não doura emoções.
O dia teve o cinza
Triste como manto.

O meu coração,
Sozinho e doído,
Como tantas vezes,
Chora de aflição.

Saudade aproveita,
Adentra escondida,
Arrasta os espinhos
Da vida imperfeita.

De mim não consigo
Afastar o olhar
Que me segue há tempo.
Esquecer me obrigo.

Por que a inquietude
Perturba-me assim?
Minha trilha estreita
E meu tempo ilude?

Apego-me ao sonho
De longínquo amor
Jamais esquecido
Que em versos componho.


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Entre Mulheres

Teoria deste tipo de composição literária:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2016/07/endecha.html

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Aprendi com o tempo



O tempo é bom professor.
Ensina sobre o amor
E sobre a dor e a alegria,
Transformando a noite em dia.

O tempo é o melhor médico.
Enxuga todas as lágrimas
Com a toalha das horas,
Assinalando as auroras.

O tempo é um conselheiro,
Excelente companheiro.
Abre a cortina da mente,
Onde está passado atraente.

O tempo é restaurador
Vem vívido, animador.
Permite que o sonho mude
A velhice em juventude.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: xetobyte.deviantart.com

sábado, 16 de setembro de 2017

Ao acaso



Foi sem previsão, ao acaso,
Que nossa paixão nasceu.
Ali no jardim, no ocaso,
Senti seu olhar no meu...

Fingi não vê-lo sorrir.
Minhas faces afogueadas
Selaram nosso porvir
Oculto nas alvoradas.

Veio p´ra perto de mim.
Meu coração disparou.
Ouvi sua voz, enfim,
Quando amor me declarou...

Não foi por acaso, porém,
Que não nos separamos mais.
Foi por conquista de alguém
Que esperou você demais...

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: screenertv.com