sexta-feira, 21 de abril de 2017

Tarde demais



Afinal nos encontramos.
Demoraste muito. Demoraste tanto
Que já não podemos nos amar.
Eu sabia da tua existência.
O senhor das vidas não permitiu
Que nos encontrássemos antes.
Convivi contigo em meu coração,
Imaginei teu olhar em cada despedida,
Senti teus lábios na minha pele,
As tuas mãos no meu cabelo revolto,
Descansei a cabeça no teu ombro,
Chorei abraçada por ti.
Havia um recanto só nosso
Onde me declaravas teu amor,
As mais belas declarações
Que alguém pode pronunciar.
Nunca senti saudade de ti,
Estavas sempre em mim,
Bastava eu pensar e te via ao meu lado,
Não carecia chamar-te,
Acompanhavas-me em todos os momentos.
Conhecias-me tão bem...
Que pena!
Tarde demais permitiram
Que te revelasses.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: MiLeide - blogger

sábado, 8 de abril de 2017

Um tempo



Quero um tempo sem tempo de girar,
Um tempo meu, parado, de olhar,
Um tempo sem relógio, de preguiça,
De não refletir, vida mortiça.

Um tempo sem sonhos despedaçados,
Nem lágrimas, nem pesares, nem brados.
Um tempo em que sobrem noites vadias
De desejos vertidos em euforias.

Um tempo de movimentos eternos
Que manifestem sentimentos ternos.
Um tempo vestido de horas únicas
(Passe o vento sem arrancar-lhes as túnicas).

Um tempo de sol liberto do posto
Cujo brilho resplandeça transposto.
Um tempo que no meu silêncio soe,
Flua no coração e não destoe.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: nochedeluz.blogspot.com

sexta-feira, 31 de março de 2017

Bem-vindo, Outono.


Teoria deste tipo de composição literária:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/08/aldravia_14.html




Teoria deste tipo de composição literária:
Fabre, Mardilê Friedrich. Rumos da Poética no Século XXI. São Leopoldo, Oikos, 2012.


sexta-feira, 24 de março de 2017

Momento lúcido



Teoria deste tipo de composição literária:

http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/07/gemius.html

sexta-feira, 17 de março de 2017

sexta-feira, 10 de março de 2017

Pretensão


Este é um dimidium. Teoria deste tipo de poema:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/07/dimidium.html

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Decepção


Teoria deste tipo de composição literária:
FABRE, Mardilê Friedrich. Rumos da Poética no Século XXI. São Leopoldo, Oikos,2012.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Lição de casa


Ainda não aprendi
A fazer corretamente
Minha lição de casa.
Quando penso ter acertado
Toda a sublimidade com palavras mágicas,
Vem a vida e mancha
Meus códigos caprichados.
Apago e refaço,
Apago e refaço...
Fico tonta, com a mão cansada.
O coração afoga-se em lágrimas...
A mente paralisada
Não produz pensamentos.
A criatividade inexistente
Desiste de impulsionar idéias.
Luto, para que a luz
Continue acesa em minha memória.
Não existe perfeição, não posso desistir.
Saio das sombras para não perder a direção.
Conquisto o que parecia impossível:
Meus termos essenciais ora estabelecidos.
Retomo minha história
Para servir de texto-base
A fim de acertar de agora em diante,
Retornam as visões claras
De momentos impossíveis de esquecer.
Recomeço do zero... fantasmas aparecem,
Rondam-me, sussurram sugestões...
Em esmaecidas salas, descuidadas, escondo-me.
O tempo gira veloz,
E tira-me o direito
De transitar sem complementos.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: GameDesire


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Aprendo a ouvir o coração



Meu coração pôs-se a pulsar lentamente.
Foi sua maneira de reclamar
Que não lhe atendo as aflições.
Sussurra-me, sem alento para gritar,
Da sua mágoa e inquietação.
Suplica-me que bloqueie o desalento
Que o proteja das desilusões,
Que o desembarace do descaso,
Que o defenda do desrespeito.
Quedo-me em total silêncio,
Toma-me estranha sensação do nada.
Nunca parei e escutei meu coração.
É hora de fazê-lo.
Pobre coração!
Ele esmorece porque não lhe dou trégua,
Mendiga carícias de mim.
Preciso aprender a fasciná-lo
Com inebriantes pensamentos.
Pretendo absorver os primores da natureza
E presenteá-lo com o equilíbrio do voo dos pássaros,
Com a força da correnteza dos rios,
Com a pompa do sol,
Com a majestade da lua.
E enfim, com o meu eu
Convertido em melodiosa poesia,
Revesti-lo com a capa mágica do crepúsculo.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Adriana Caitano. WordPress.com

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Ao amor


Teoria sobre este tipo de composição literária:

http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/07/gemius.html

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Escada



Um torvelinho na imaginação
Destranca as portas do transcorrido,
Consente que visões esquecidas
Se adonem do meu momento.

Vejo-me sozinha no meio do nada.
Caminho para um lado, para outro,
Paro, volto-me... diante de mim,
Uma longa escada com degraus íngremes.

Vagarosa e apreensivamente, subo-a.
Os degraus, um a um, ficam para trás.
No topo, encontro-me com rostos exigentes
E olhares confiantes num futuro incerto.

Travo séria batalha com a cegueira.
Com vontade férrea, palavras e conselhos,
Apresento autores que permanecem
Por obras de conteúdo inigualável.

Inúmeros diálogos sobre afetividades
Traço com jovens indecisos e desconfiados.
Conquisto sua atenção com minha vitalidade.
Aprendo como ensiná-los a organizar pensamentos.

Com eles brinco de tecer quimeras
Por serem elas para mim
Tão importantes como para eles.
E os sonhos tornam-se reais...

O dia de descer a escada chega.
Assim como não vacilei em subi-la,
Também acontece quando a desço.
Concluo que foi mais difícil descer que subir.

Hoje, muito tempo depois, pipocam
As lições ensinadas, seja por meio de imagens,
Seja por meio de ações exemplares,
Seja por meio de discursos verdadeiros.


Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Diogo Beltrame


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Loucura?


Esta composição literária se chama indriso. Para saber mais, consulte:
FABRE, Mardilê Friedrich. Rumos da Poética no Século XXI. São Leopoldo, Oikos, 2011.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

E a caridade fez-se homem...



Ele abriu os braços acolhedores,
Inundou de esperança os sofredores,
Proferiu palavras caridosas,
Curou as feridas com mãos gloriosas,
Enxugou lágrimas de olhos tristonhos,
Transformou muitos corações medonhos,
Andou pelos caminhos de pés descalços,
Afastou inquietações e percalços,
Encheu de graças um homem sem ,
Provou sempre amor por seu pai Javé,
Semeou paz onde havia desalento,
Viveu dias de dor e isolamento
Pelas almas que viera p´ra salvar
E que não poderia abandonar.


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: home - Sapo

sábado, 17 de dezembro de 2016

Coberta de amor




Saudade molha meu leito.
Deito-me e cubro-me de amor,
Amor salgado, mas amor
Com perfume de maresia
Da jovial infância ao lado
Das personagens refletidas
No tênue borbulhar das nuvens
Que cantam meu nome em blandícies...
Minha alma enternece meu corpo
Que aprisiona emoções sutis.
Já não leio mais, manipulo
Caminhos nunca antes pensados,
Escondidos pela cortina
De espuma que me veste inteira.
Conduzida pela mão lívida
De Tétis, parto despreocupada do tempo.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: PBworks

sábado, 10 de dezembro de 2016

Vazio



Saudades das tuas verdades,
Das tuas flores,
Dos teus livros.
Teu rosto sempre presente
No porta-retrato,
Sobre minha escrivaninha...
O tempo e a distância
Interpuseram-se entre nós.
Permiti que me escapasses,
Que desaparecesses de minha vida.
Tua voz chega-me como melodia
Que me ataca o coração vazio.
Retenho cada traço da tua boca
Como se ontem tivesses falado contigo
No nosso recanto.
Ah! Se eu pudesse
Mais uma única vez
Olhar-te no fundo dos olhos,
Pegar-te a mão
E mergulhar minha solidão
No teu colo perfumado!...
Uma insensata vontade de gritar
Pela rua o teu nome,
Para que despertes
Do teu sono eterno
E voltes para mim,
Não me abandona.
Só a saudade me acompanha.


Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Penso Positivo


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Ironias da Vida - 1 lugar em Concurso


    Com este gazal fui classificada em 1º lugar no 25° Concurso Literário Internacional ALPAS 21 de Poesias, Contos e Crônicas DA ACADEMIA INTERNACIONAL DE ARTES, LETRAS E CIÊNCIAS 'A palavra do século 21' - ALPAS 21


A vida comanda meu destino
Sem me mostrar seu traço ladino.

Ironicamente me conduz,
Normalmente dela desafino.

Percorro labirintos sinuosos
E de fraqueza me contamino.

Mas resisto, transponho os obstáculos
Numa luta cruenta e sem tino.

Venço as armadilhas preparadas,
Tomado de ânimo repentino.

Não há como acorrentar o tempo,
Ele tiquetaqueia ferino.

Cadencia o rumo que tracei,
Segundo o que sou: um peregrino.

Meu andar será interrompido,
Quando determinar o divino.


    Para saber mais sobre o gazal, acesse: http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/10/gazal.html
Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Vendedor de Sonhos

sábado, 5 de novembro de 2016

Pedras preciosas



Atingi um estágio
No qual não almejo mais
A ilusão de uma jornada sem lágrimas.
Não importa quantas vezes
As sombras do passado me visitem
E me recordem caminhos interrompidos
Pelos delírios dos insucessos.
Percorri uma trilha estreita,
E o acesso dificultava-me
A chegada ao objetivo traçado.
Desde cedo, aprendi
Que podia desistir...
Não foram poucas as vezes
Que a solitude e a incompreensão
Me fizeram companhia.
Prefiro, entretanto, focar
Na satisfação de atos praticados.
Ainda hoje a recompensa
Ecoa em vozes longínquas envoltas em névoas.
Incontáveis dons despertei
Com palavras convenientes
E momentos espontâneos de emoção.
Foram peças valiosas
Que ajudei a lapidar.
No presente têm luz própria
Aprimoram outras preciosidades.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem:cristão.tumblr.com

sábado, 29 de outubro de 2016

Febris Versos


Essa composição literária leva o nome de Tam Tam, cuja teoria explico e exemplifico no meu livro "Rumos da Poética no Século XXI.".

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Devaneios




Teoria deste tipo de composição literária:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/06/oitava-intercalada.html


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Entressonhos


Pelo corpo escorregam
Fios de luar.
Cabelos prateados
Derramam-se em cascatas
Pelas quimeras despertadas
Dentro do peito inquieto.
O eco dos acalantos
Suga paixões imóveis.
Sentimentos traçam
Versos irregulares na calçada gélida
Da madrugada cerzida de estrelas.
Almas rumorejam desejos de cetim
Que nutrem poesia lunática.
Melodias dormem nas partituras...
Aguardam por delicadas mãos
Que as despertem
De seu pesado sono.
Noites mastigam dores
No silêncio resignado
Do leito balsâmico
Que recebe vidas em pecado.
Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: limaverde1.wordpress.com

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Trilha Sonora de Primavera



Ao alvorecer, ouço os passarinhos.
Acordo com seu mavioso gorjeio
Enquanto o sol bate em cheio
Na janela do nosso ninho.

Acompanha-me a trilha sonora
Na fadiga do labor diário,
Sonorizando o meu cenário,
E o desalento vai embora.

Desprezo problemas. Canto!
Nãomais solidão. Incrível!
Vem a ventura. Imprevisível!
Desnuda-se minha alma. Encanto!

Esquecida de mim, devaneio
Tomada pela melodia
Que o meu coração cadencia,
E o meu dia com paz norteio.

 Mardilê Friedrich Fabre

sábado, 10 de setembro de 2016

Seria delírio?



Seria delírio de amor
Florir como a rosa vermelha
À qual agrada ao sol se expor?

Seria delírio, poeta,
Não desvanecer a centelha
Que no coração é secreta?

Seria delírio apagar
O passado que a luz espelha
Nas águas do lago ao luar?

Que segredo com ardor
Esconderia a flor quieta?

Por que o destino decreta
Solidão aprofundar?

Salva-a o beija-flor.


Mardilê Friedrich Fabre




Teoria deste tipo de composição literária:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/11/escala.html

sábado, 3 de setembro de 2016

Do espelho


Teoria dessa composição literária, encontra-se neste link:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/06/oitava-intercalada.html

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Depois...



Depois... a madrugada abriu um sorriso,
A lua escorregou no horizonte liso,
As estrelas tremeluziram mistérios,
A manhã alvorou sem critérios.

Depois... a alma perdeu a essência,
As horas peregrinaram com displicência,
A tarde acercou-se maravilhada
Porque o sol afagava a florada.

Depois... a mudez envolveu o corpo refeito
Com um manto tecido com efeito
Em momentos quando a letícia era protagonista
De uma história dirigida para a conquista.

Depois... sobrevivemos juntos, protegendo-nos da desgraça.
Confiamos um no outro, e a felicidade da graça
Perpetuou-se nos sonhos meus e nos teus.
Confiamos, assim, que nunca diremos adeus.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: adrianabeatriz.blogspot.com