sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

E germina o dia...


Desenrolo o novelo
Com fios de amanhecer
E teço os dias hora a hora.
As mãos, cansadas
De bordar suspiros,
Repousam na cesta de segredos.
Os olhos, depois de enredar enganos,
Fecham-se lavados de lágrimas.
O corpo senta-se ereto
À espera da magia
Que ficou na promessa.
As pernas paralisadas agitam-se.
Não têm desculpas
Para a indolência
Que as agoniza.
Não restou ao dia outra saída senão forjar-se
A si mesmo, nostálgico,
Sufocado pela vontade
De cometer o sacrilégio
De morrer de novo...
E de novo...
E de novo...


Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Google


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Amanhece...

Foto:Lliria Lavish


Amanhece...
E as quimeras loucas
Não pegam o corcel negro
Dos pensamentos irrequietos
Que me afogam a alma...

Amanhece...
Meus pés mergulho
No teu corpo macio
E tu os afagas
Como se crianças fossem...

Amanhece...
A paixão insensata
Desordena a felicidade
Que brota de nossas mãos
E desaparece maliciosa...

Amanhece...
Os pardais gorjeiam aventuras,
A vida abre caminho devagar,
Os sons se misturam
Numa alquimia de presságios...

Amanhece...
As sombras fogem de cena,
O orvalho migra para outro mundo...
A rosa de despe das pétalas
E exala seu último suspiro...

Mardilê Friedrich Fabre



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Uma Vida

  


A vida dependurada
Na ponta de uma agulha
Pinga gotas vermelhas e incolores
Nas horas de espera,
Equilibra-se no amor
E na amizade...
Rompem-se bolhas protetoras
E soldam-se porções.
Sonhos esfacelam-se no tempo...
O corpo exangue viaja ilusões,
A mente atenta
Desperta a poesia
E nela divaga introvertida.
Emoções latentes
Tatuam páginas estéreis
Com lembranças e anelos
Que afogam palavras doridas.
O sorriso brilha solidão
E declama cautelas
Perfumadas de agonias.
Lágrimas escrevem versos
No rosto macerado pela dor.
Mãos abraçam perfumes,
Tecem ternuras,
Mimam vontades,
Rezam metáforas fugidias
E tombam extenuadas
No regaço mudo
Que, débil, pulsa vida.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Google

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Etenos acasos//Encontros desencontrados//Labirintos//Crendices










Multiplix  é uma das formas múltiplas do poetrix aceitas pelo MIP.

Autoras: Mardilê Friedrich Fabre, Marilândia Rollo, Maria José Zanini Tauil, Karinna*, Miguel Gonçalves

Formatação: Mardilê Friedrich Fabre


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Rosa de Veludo



Presentearam-me
Com uma rosa de veludo...

... Vermelha...

Como o sangue
Da tristeza ceifada
Que tinge o meu colo

Como os rubis
Que alcatifam a rua
Para meus pés tocarem encantos

Como as chamas
Acesas na minha pele
E a água recolhida de mim não apaga

Como a paixão
Que me lança flechas efervescentes
E amortece meu corpo vazio de fantasias

Como o batom
Que colore de prazer meus lábios lívidos
E murmuram palavras intensas

Como cerejas e morangos
Que escorrem da boca ao coração
O néctar dos desejos tardios

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Google