sexta-feira, 21 de abril de 2017

Tarde demais



Afinal nos encontramos.
Demoraste muito. Demoraste tanto
Que já não podemos nos amar.
Eu sabia da tua existência.
O senhor das vidas não permitiu
Que nos encontrássemos antes.
Convivi contigo em meu coração,
Imaginei teu olhar em cada despedida,
Senti teus lábios na minha pele,
As tuas mãos no meu cabelo revolto,
Descansei a cabeça no teu ombro,
Chorei abraçada por ti.
Havia um recanto só nosso
Onde me declaravas teu amor,
As mais belas declarações
Que alguém pode pronunciar.
Nunca senti saudade de ti,
Estavas sempre em mim,
Bastava eu pensar e te via ao meu lado,
Não carecia chamar-te,
Acompanhavas-me em todos os momentos.
Conhecias-me tão bem...
Que pena!
Tarde demais permitiram
Que te revelasses.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: MiLeide - blogger

sábado, 8 de abril de 2017

Um tempo



Quero um tempo sem tempo de girar,
Um tempo meu, parado, de olhar,
Um tempo sem relógio, de preguiça,
De não refletir, vida mortiça.

Um tempo sem sonhos despedaçados,
Nem lágrimas, nem pesares, nem brados.
Um tempo em que sobrem noites vadias
De desejos vertidos em euforias.

Um tempo de movimentos eternos
Que manifestem sentimentos ternos.
Um tempo vestido de horas únicas
(Passe o vento sem arrancar-lhes as túnicas).

Um tempo de sol liberto do posto
Cujo brilho resplandeça transposto.
Um tempo que no meu silêncio soe,
Flua no coração e não destoe.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: nochedeluz.blogspot.com