sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Lição de casa


Ainda não aprendi
A fazer corretamente
Minha lição de casa.
Quando penso ter acertado
Toda a sublimidade com palavras mágicas,
Vem a vida e mancha
Meus códigos caprichados.
Apago e refaço,
Apago e refaço...
Fico tonta, com a mão cansada.
O coração afoga-se em lágrimas...
A mente paralisada
Não produz pensamentos.
A criatividade inexistente
Desiste de impulsionar idéias.
Luto, para que a luz
Continue acesa em minha memória.
Não existe perfeição, não posso desistir.
Saio das sombras para não perder a direção.
Conquisto o que parecia impossível:
Meus termos essenciais ora estabelecidos.
Retomo minha história
Para servir de texto-base
A fim de acertar de agora em diante,
Retornam as visões claras
De momentos impossíveis de esquecer.
Recomeço do zero... fantasmas aparecem,
Rondam-me, sussurram sugestões...
Em esmaecidas salas, descuidadas, escondo-me.
O tempo gira veloz,
E tira-me o direito
De transitar sem complementos.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: GameDesire


5 comentários:

Celso Ferruda disse...

Diariamente lutamos para deixar nossas lições de casa prontas..mas o destino por vezes nos choca tirando seu brilho

Jorge Sader Filho disse...

Uma poesia muito forte e densa. Não é fácil comentar; tudo nela vem muito de dentro, daí repetir que "viver é muito perigoso".
Abraço, poeta e amiga >Mardilê.

Anônimo disse...

Aplausos. Pedro Passamani

renate gigel disse...

Cada vez algo que parece escrito para mim!
É o momento em que leio e me serve de alento!
Quero seguir exemplos, conselhos , encontrar soluções, enfim
Me esforço, luto e , sem sucesso, só peço que ainda tenha tempo.

bjs. querida e parabéns!
Re

Anônimo disse...

Excelente ! Curti, do princípio ao fim, pela criatividade, ritmo e profundidade. Abraços do amigo Paolo."