quinta-feira, 11 de maio de 2017

Desmaterializado



O dia entristece.
O sol se esconde atrás da névoa.
Meu coração mortifica-se.
Minha cabeça turbulenta
Perturba-se com tua imagem
Emergida do misterioso mundo da vaguidão.
Minha pele sente teus dedos macios,
Teus olhos falam
Para minha alma desprovida de acalentos.
Bebo as doces palavras
Que não dizes
E que escorrem pelas minhas faces,
E alojam-se na alma abandonada.
Imagino que me abraças ...
Levanto as mãos para tocar-te...
Não te materializas,
És apenas uma alucinação.
Estavas distante...
Eu nem me recordava mais,
Eras somente uma lembrança
Diluída no tempo como tantas outras.
Surgiste da vastidão impenetrável.
Agora sofro tua ausência
Que me importuna,
E me atormenta,
E me maltrata,
E me lancina.
Meu ser encontra-se tão embebido de ti
Que, temo, um dia explodirá.
Quando aceitarei
Que nunca poderás ser meu?
Preciso conformar-me
Em amar-te sem que tu o saibas,
Mas a esperança de ouvir tua voz
Fazer-me uma declaração de amor,
Essa não morre.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Flor do Cerrado


Em resposta a esse poema, meu amigo e confrade, Celso Ferruda, fez o seguinte poema:


Desmardilerizando...
Das tristezas descritas, um brilho no olhar. 
Sol contido entre vagas nuvens, reaparece. 
O coração certifica-se: é tempo de sorrir... 
Cabeça turbulenta passa a sonhar tua imagem. 
Pele suavizada, sensibilidade e ligação no olhar. 
Os olhos que lamentavam bebem palavras, 
As tuas palavras, em silêncio! 
Ações que parecem diluir-se na vastidão do tempo
E voltam saborosas em forma de lembranças. 
Agora sem sofrer a ausência que importunava, 
Que atormentava, 
Que maltratava, 
Que dava dores agudas... 
Não temo mais a explosão dum sentimento fatídico,
Guardando segredos de amor, somente para mim. 
Posso hoje ouvir a consciente voz, 
Desmardilerizando o passado: 
"Este amor não morre, jamais morreu... vive na poesia."


Celso Ferruda
Imagem: Mulheres Bonitas

5 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

O amor verdadeiro, quando confessado, toma feitio de eterno.
Abraço, Mardilê.
Jorge

Celso Ferruda disse...

Fico grato Mardile ter anexado o meu escrito ao seu lindo poema. Achei que deveria traduzir os momentos de solidão em alegria de viver...então o amor ressurgiu como primavera...parabéns pelo seu magnífico poeta. ..abraços e feliz dia das mães. ..

renate gigel disse...

Como sempre, lindo e intenso!
bj
re

Anônimo disse...

Maravilhoso! Se toda a réplica fosse dada assim na forma de poesia, não teríamos tantos desabores e sofrimentos nesta vida. Amo vocês, meus queridos poetas. Jandira Webeer

Anônimo disse...

Belezas! Ricardo Luís Villas Boas