sexta-feira, 22 de julho de 2011

Bordando a vida.



Bordo minha vida
Com linhas de seda
Douradas e brilhantes.
As noites de insônia,
Teço-as com pontos cheios
À luz argêntea da lua.
As minhas dores,
Revisto-as de pontos renascença,
Transformando-as em quimeras.
A minha solidão,
Preencho-a com pontos trançados
De lembranças e ternura.
A minha descrença,
Remendo-a com ponto matiz,
Colorindo-a com a luz do amor.
O meu desconsolo,
Enfeito com pontos partidos,
Cicatrizando a ferida da ingratidão.
A minha saudade,
Detalho-a com ponto pétala,
Perfumando a estrada percorrida.
Os meus conflitos,
Mesclo-os com barras suspensas
De pontos de alinhavo,
Atando os desejos íntimos
Na profundidade dos mistérios
Da imensidão da minha existência.



Mardilê Friedrich Fabre
Imagens: Google

2 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

"Bordando a Vida", Mardilê, ficou suave e bastante verdadeiro.
Muitos são poetas porque querem ser. É um direito. Poucos são poetas por direito. É o seu caso.

Carinhos,
Jorge

Arquiteto de Almas disse...

Se não assim fizermos, nunca teceremos o [bordado] da vida, viver e viver cada dia, seja com alegria ou com tristeza, sobremaneira encontrando as forças para vencer sempre.
Abraço
CeGaToSi