sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Um dia...




Um dia...

Vesti-me com pétalas de saudade,
Assaltada por lembranças travessas
De um tempo só de sensibilidade,
Em que corações não ouviam cabeças.

Assaltada por lembranças travessas,
Eu flutuava entre enganos e ilusões
Em que corações não ouviam cabeças,
E a vida conspirava ligações.

Eu flutuava entre enganos e ilusões
No silêncio da madrugada esperta,
E a vida conspirava ligações
Nos descaminhos da distância certa.

No silêncio da madrugada esperta,
Eu me mesclava à perfeição de Deus
Nos descaminhos da distância certa,
Enquanto sorvia desejos meus.

Eu me mesclava à perfeição de Deus,
Sofrendo dos outros todas as dores,
Enquanto sorvia desejos meus
De livrar o mundo de maus condutores.

Sofrendo dos outros todas as dores,
Queria a graça, fazendo justiça,
De livrar o mundo de maus condutores,
Aspiração de minha alma noviça.

Queria a graça, fazendo justiça,
Atrelada aos meus dias passados,
Aspiração de minha alma noviça,
Derramar sentimentos abençoados.

Atrelada aos meus dias passados,
Sozinha, tocada pela bondade,
Vertendo sentimentos abençoados,
Vesti-me com pétalas de saudade.




Mardilê Friedrich Fabre

6 comentários:

Ventura Picasso disse...

Muito interessante. Não conhecia esse formato.
Valeu...

Jorge Sader Filho disse...

Fico admirado com a capacidade de Mardilê em construir um verso tão soante, agradando nossos ouvidos.
Eu os recito baixinho...

Abraço,
Jorge

Cidadão Araçatuba disse...

Passei para conhecer seu blog, e deixar-te um abraço pela sua filiação á Cia dos Blogueiros.
Abração!

Hermison disse...

Também não conhecia esta técnica poética. Parabéns pelo engenho das palavras. Quem sabe um dia eu me avanturo a escrever um Pantum, hehe.
Abraços Mardilê.

Elisa T. Campos disse...

Encadeando versos, que lindo.
Acho que nunca vi. Amei.
bjs

vilma disse...

Interessante este pantum, não conhecia. bjs, vilma