sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Dois Minicontos



Décimo Andar

De novo o mesmo pesadelo. Perseguido, atirava-se de uma janela do 10º andar. O som das sirenes, embora longe, o incomodavam. A cabeça lhe doía. Tomou um comprimido para dor. Debaixo do chuveiro, lembrou-se. Chegara tarde e ... acompanhado! Correu para a janela. Aberta. Na calçada, amontoavam-se algumas pessoas. Perturbou-se. Morava no 1011.





Numa manhã de primavera...

Levantou determinado naquela manhã de primavera. Nada o deteria. Como um autômato, tomou o café de sempre, pegou o ônibus de sempre, sentou no lugar de sempre, mas não desceu na parada de sempre. No fim da linha, o motorista de sempre deparou-se assustado com um corpo inerte.



Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Google

3 comentários:

Poetriz disse...

Parabéns Mardi ficaramótimos.

Jorge Sader Filho disse...

E surgem os minicontos na literatura de Mardilê! Para quem gosta e pratica bastante, só uma palavra: excelentes.

Abraço,
Jorge

Anônimo disse...

Oi, mardilê querida, vc manipula como ninguém os sentimentos íntimos do ser humano. Só que vc não interfere neles, deixa-os livres para se mostrarem tais quais eles são. E vc não tem culpa por, em sua maioria, os sentimentos humanos mostrarem-se angustiados ou indefesos. Gosto deles. Boa noite e bjinhos. Irany