sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Vitória do amor




Início do ano letivo. Entrei na sala de aula. Primeira série do 2º Grau. Alunos novos. Notei curiosidade nos olhos que me fitavam.
 - Bom-dia, cumprimentei-os.
 - Bom-dia, professora, responderam em uníssono.
 - Antes de começarmos, vamos nos conhecer. Meu nome é Natália e, como consta no horário que receberam, vou partilhar com vocês meus conhecimentos de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Durante a chamada, à medida que digo o nome de cada um, por favor, diga de que escola veio.

Muitos vieram de outras escolas, mas também havia os que estudaram na nossa escola (portanto, me conheciam de nome e de fama).

Observadora (faz-se necessário na minha profissão), notei que um rapazinho moreno, olhos vivazes, não parava de olhar para uma menina do outro lada da sala. Isso durou o ano inteiro. A menina não parecia interessada nele.

Antônio (esse era seu nome) fazia de tudo para ficar perto de Aline. Descobria com as amigas em que festa iam, no recreio parava de modo que ela pudesse vê-lo, nos grupos formados para trabalho, dava um jeito de participar do mesmo grupo. E ela... pouco interessada...

No ano seguinte, de novo, professora da turma de Antônio e Aline.Ela sentava-se no fundo da classe, e Antônio, no meio (não havia mais lugar no ”fundão”). Escolheram-me como conselheira da turma (uma espécie de professor responsável).

A queixa dos professores era geral: Antônio não prestava atenção, ficava de costas para o quadro–verde. Só tinha olhos para Aline. E ela... nem aí... Pediram-me para eu tomar uma atitude, porque as notas dele estavam baixas.

Antes de dar a minha aula seguinte, fiz uma preleção, dizendo que, para melhor aproveitamento deles, eu faria umas modificações de lugares. Coloquei Antônio e Aline na primeira fileira, no meio de “essa, não!” “por que, profe?” “logo eu!”, fui determinando os demais lugares. Se Antônio melhorou? Sim. E Aline? (Não havia como) Também. Aafastei-a das conversas com as amigas.

No início do segundo semestre, qual não foi minha surpresa: os dois entraram na sala de mãos dadas.

Sorridente, ele me disse:
 - O meu amor por ela é tanto que ela não resistiu e finalmente enamorou-se de mim.


Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Google


4 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Gostei, gostei!
Um caso de amor muito bem contado, tramado e com final feliz!
Abraço.
Jorge

Alex Georg disse...

Conheco bem os personagens da historia. Eu não poderia ter contado melhor. Obrigado por tudo minha querida professora e amiga Mardile. Beijo no coracao. Alex Georg

Alex Georg disse...

Deu tao certo que estamos juntos a 37 anos!! Obrigada querida madrinha por esta linda recordacao de como tudo comecou!!! Grande beijo!! Evelina Georg

Anônimo disse...

Lindo, amiga! Obviamente, tu me fizeste chorar lendo estas preciosas linhas. Já no meio, eu estava entregue às lágrimas.
Esta realmente é a vitória do amor. E quando o amor vence, a vida vence, e tudo fica no seu lugar. Daniel Dias